Forte de São Lourenço vai virar memorial da Independência

A Fortaleza onde, no dia 16 de janeiro de 1823, foi hasteada a bandeira do Brasil Independente, na antiga vila de Itaparica, pode virar o primeiro memorial da Guerra da Independência do Brasil na Bahia. O Forte de São Lourenço, espaço ainda fechado à visitação pública, está sendo preparado pelo Comando do 2º Distrito Naval da Marinha para virar museu. Se os planos seguirem como espera a Marinha, o espaço deverá estar pronto para funcionar no dia 2 de julho do ano que vem. “A gente já tem o Museu Náutico no Forte de Santo Antônio da Barra e agora estamos com um projeto para que o Forte de São Lourenço seja aberto à visitação para se tornar um memorial da Guerra da Independência”, explica o capitão de corveta do Comando do 2º Distrito Naval, Flávio Almeida. Para abrir o Forte, a Marinha já iniciou conversas com especialistas, com a Prefeitura de Itaparica e iniciou um contato com a Fundação Pedro Calmon (FPC), através do Centro de Memória da Bahia. A ideia de abrir o local surgiu após pedidos de que o local pudesse ser visitado. “A gente deve fazer um encontro ainda em julho para definir o escopo e como vamos montar o memorial. Uma equipe da Marinha do Rio de Janeiro vem nos ajudar com isso ainda nesse segundo semestre”, completa o capitão de corveta Flávio Almeida.

Contar a história da participação da Marinha na campanha pela Independência do Brasil na Bahia também é uma das motivações para a criação do memorial. “A Marinha teve uma participação fundamental na Independência, porque é quando se cria a primeira esquadra que se junta à flotilha de João das Botas nos combates. Essa história precisa ser contada”, diz o capitão Flávio Almeida. O espaço, que hoje abriga, diariamente, somente dois marinheiros, já tem até um local onde possivelmente ficarão algumas das peças. À direita do portão de entrada, uma sala onde possivelmente funcionou a enfermaria da fortaleza deverá ser uma das salas. O forte também conserva um auditório e a antiga Sala D’Armas, bem como um gabinete de comando com insígnias que fazem referência à Guerra da Independência. Acredita-se, ainda, que haja no pátio do forte um túnel, construído ainda pelos holandeses no século XVII, que leva diretamente ao local onde fica hoje a Capela de Nossa Senhora da Piedade. É possível que o túnel tenha sido uma das poucas estruturas do forte, erguido em 1647, que os holandeses tenham deixado intactas após serem expulsos do local, recuperado mais tarde pelos portugueses.

De acordo com a prefeita de Itaparica, Marlylda Barbuda, o memorial do Forte de São Lourenço será o primeiro museu para contar a história da Guerra de Independência e o primeiro espaço de visitação de Itaparica, onde houve uma batalha no dia 7 de janeiro de 1823, que resultou na expulsão dos portugueses da Ilha. “O nosso desejo inicial era transferir a administração do forte para Itaparica, mas o almirante nos disse que seria um processo muito burocrático e praticamente não seria possível. Numa reunião, então, surgiu a ideia de fazer o memorial que será administrado pela Marinha, como acontece já no Museu Náutico, no Farol da Barra”, explica. Embora fechado à visitação, o Forte já recebe grupos escolares para aulas de História. O desejo da administração municipal, no entanto, é maior do que isso. “A gente precisa trazer a participação de Itaparica para a memória da história da Independência. E a gente quer ter o dia 7 de janeiro condecorado também, pretendemos torná-lo patrimônio imaterial do município”, defende a prefeita.

Segundo o diretor do Centro de Memória da Bahia, vinculado à FPC, Rafael Fontes, os primeiros contatos para a montagem do memorial já foram feitos por parte da Marinha. Agora, ambas as partes aguardam a passagem das comemorações da Independência para retomar o contato. O próximo passo é uma visita técnica à fortaleza. “A gente normalmente lida com o memorial a partir do acervo, precismos identificar o que vai compor, qual é o mote dele. Eles disseram que possuem objetos relacionados à Guerra da Independência. Aí você complementa a história desse item com pesquisa, com outras informações, você contextualiza esse objeto”, explica Rafael. No caso do Forte de São Lourenço, será preciso contextualizar o que aconteceu em Itaparica e relacionar com o que ocorreu na Bahia e com o contexto geral das batalhas. O diretor do Centro de Memória disse que não é possível precisar o tempo necessário para a montagem do memorial, já que isso depende do estado de conservação do acervo, da equipe e dos recursos disponíveis.

Por: Clarissa Pacheco para o Correio24horas.com.br