História

Itaparica, o primeiro destino turístico do Brasil

Itaparica, vocábulo tupi que, segundo Teodoro Sampaio, significa “cerca feita de pedras”, era povoada pelos índios Tupinambás. Descoberta em 1º de novembro de 1501 por Américo Vespúcio, é a maior das 56 ilhas da baía de Todos os Santos, no litoral do Estado da Bahia, Brasil. Itaparica, anteriormente, abrangia em seu território os atuais municípios de Vera Cruz e Salinas desmembrados de seu território na década de 60 do Sec. XX.

O núcleo original de povoamento da cidade era denominado Ponta da Cruz e já no início do Sec XVII passou a ser conhecida como Ponta das Baleias em razão de aqui ter sido instalada a primeira armação de baleias pelos biscainhos que trouxeram as devoções a São Lourenço e Nossa Senhora da Piedade.

Itaparica destaca-se por ser o berço de historiadores, intelectuais e heróis, tendo merecido do Imperador Pedro I o título de “Denodada Villa” em razão da bravura de seus filhos nos episódios da guerra de independência no princípio do Sec XIX, dos quais destacamos a participação da heroína Maria Felipa, marisqueira, que liderou um grupo de pessoas, dentre tantos outros bravos nativos nas batalhas contra os portugueses que buscavam reconquistar a Ilha de Itaparica. Também merece destaque os portos de Itaparica testemunhas do nascimento da Marinha do Brasil, cujos primeiros barcos foram os saveiros dos destemidos itaparicanos liderados por João das Bottas.

Itaparica ainda revelou ao mundo grandes vultos literários, como Ernesto Carneiro Ribeiro, Xavier Marques, João Ubaldo Ribeiro, além do compositor Damião Barbosa, intelectuais conceituados e premiados pela importância de suas obras.

Em 1831, foi desmembrada do Município de Salvador e finalmente, em 1890, elevada ao status de cidade pelo seu ilustre filho Virgílio Clímaco Damásio, primeiro governador republicano do Estado da Bahia.

Itaparica, de acordo com o senso do IBGE em 2010, tem uma população de 20.725 habitantes e está localizada a 13 quilômetros de Salvador tendo acesso por duas portas de entrada, uma pelo continente (Ba 001), via Ponte do Funil, e a outra pelo mar, via Ferry Boat ou lanchas. Hoje Itaparica é um importante destino náutico, possuindo uma marina com larga capacidade para atracação e boa infra-instrutura, servindo como porto ideal para aqueles que aventuram-se a explorar a maior baía do Brasil.

Além da importância histórica e singularidades geográficas, a cidade de Itaparica possui um patrimônio arquitetônico histórico, praias de águas mornas e tranqüilas, folclore diversificado, artesanato próprio e culinária das mais apreciadas em todo o Brasil, além de uma infinidade de opções de entretenimento.

Itaparica foi o primeiro destino turístico do Brasil e teve a sua fama incrementada ao ser reconhecida como estância hidromineral, única a beira-mar no Brasil, sendo muito procurada como estação de saúde e repouso devido às suas lamas medicinais, bonitas praias e à sua água mineral que jorra da tradicional Fonte da Bica, localizada dentro da cidade, na encosta do Alto de Santo Antônio. Os efeitos prodigiosos das águas que jorram da famosa fonte foram traduzidos pelos dizeres ali inscritos: “Êh ! água fina. Faz velha virá menina”.

Itaparica é depositária de várias manifestações religiosas de matrizes africanas, merecendo destaque os presentes oferecidos a Yemanjá nos dias 02 e 03 de fevereiro, além do culto de Egungun, transplantados da costa oeste africana e que aqui são mantidos em poucas casas, em rituais revestidos de energia e mistério.
Suas datas cívicas mais tradicionais são 7 de janeiro, quando se comemora a independência em Itaparica, e 25 de outubro, aniversário de sua emancipação política.